Polícia

Trabalhadores viviam em fazenda sem banheiro e bebendo água da chuva em MS

Entre as vítimas estavam adolescentes e indígenas

4 ABR 2025 • POR Redação • 19h36
Um dos alojamentos para trabalhadores da fazenda. Foto: Divulgação MPT

Sete trabalhadores, entre eles três indígenas e dois adolescentes, foram resgatados em condições análogas à escravidão nesta quinta-feira (3), em uma fazenda no município de Porto Murtinho, a 439 km de Campo Grande.

Com apoio aéreo da Sejusp (Secretaria Estadual de Justiça e Segurança Pública), fiscais do MPT-MS (Ministério Público do Trabalho de Mato Grosso do Sul) chegaram até a propriedade, localizada na fronteira com o Paraguai.

No local, não havia água potável, banheiros nem alojamentos adequados para descanso. Durante depoimento, uma das vítimas contou que, apesar da existência de um poço, o grupo preferia beber água da chuva, "que era melhor".

Entre os resgatados, apenas um tinha registro em carteira. Ele relatou trabalhar como capataz para o fazendeiro desde julho do ano passado e afirmou ter sido o responsável por contratar os demais. Analfabeto e sem endereço fixo, ele circula entre fazendas do mesmo empregador, onde os trabalhadores também prestam serviços.

Esse trabalhador afirmou que chegou a relatar as condições precárias ao patrão, que prometeu construir um alojamento. A obra teria sido iniciada, mas nunca foi concluída. Conforme a inspeção, o local segue sem banheiros, e os trabalhadores dormem em colchões velhos, sob lonas.

Outro trabalhador contou que não tinha dia de descanso e que "prefere tomar banho de caneca do que na baia", já que não havia banheiro, e "as necessidades fisiológicas são feitas no mato".

O proprietário da fazenda foi autuado em flagrante e notificado para audiência extrajudicial. Caso compareça, o MPT deve propor um acordo para regularização das condições de trabalho, pagamento das verbas rescisórias e indenização por danos morais individuais e coletivos, em razão do prejuízo causado à sociedade.

Somente em 2025, 33 trabalhadores foram resgatados em condições análogas à de escravo, todos eles em propriedades rurais, localizadas em Porto Murtinho e Corumbá.

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