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Agronegócio

São Gabriel está em área de risco de contaminação por agrotóxicos causadores do câncer

3 MAR 2017Por Paulo Ricardo e Youssef Nimer14h:20

São Gabriel do Oeste, Dourados, Chapadão do Sul, Maracaju e Bandeirantes aparecem entre as cidades brasileiras onde o agronegócio causa impactos nocivos à saúde dos trabalhadores e da população por conta do uso intenso de agrotóxicos, apontados por pesquisadores em todo mundo como principal causa da proliferação do câncer. A constatação foi feita no Seminário “Os Impactos dos Agrotóxicos na Sociedade Saúde, Trabalho e Meio Ambiente", que aconteceu na segunda-feira (17), na Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul. Um debate proposto pelo deputado federal Zeca do PT, membro da Comissão da Agricultura, na Câmara Federal, com a realização dos deputados estaduais do PT, Amarildo Cruz e Pedro Kemp. A ação também faz parte da Campanha Permanente Contra os Agrotóxicos e Pela Vida “Agrotóxico Mata”.

O seminário vai encaminhar ações como: disponibilizar para a reforma agrária as propriedades onde forem encontrados agrotóxicos; proibir o uso dos venenos que já são proibidos em outros países; acabar com a pulverização aérea; MS ter uma lei específica do uso do agrotóxico; criação de um centro de referência estadual em análise toxicológica, prevenção e educação; criação de um fundo com recurso da venda dos agrotóxicos para pesquisas e indenizações, campanha nacional sobre os riscos e a destinação das embalagens tóxicas e a criação de uma frente parlamentar  federal e estadual “Impactos dos Agrotóxicos na Sociedade”.

Segundo o especialista, pesquisador Doutor Wanderlei Antonio Pignati, da UFMT - Universidade Federal de Mato Grosso, pesquisas confirmam que a doença está ligada à utilização do agrotóxico nas lavouras. Ele citou as cidades de Lucas do Rio Verde (MT), Rio Verde de Goiás e os municípios sul-mato-grossenses como áreas de risco. “Dourados é grande produtor de algodão com 24 a 30 litros de agrotóxicos por hectare está mergulhado dentro da plantação. Chapadão do Sul também está mergulhado, São Gabriel do Oeste, Bandeirantes e Maracaju, onde todos os córregos e todas as nascentes vão levar a água que vão parar no Pantanal”.

Pignati explica que junto com pesquisadores da FIOCRUZ (Fundação Oswaldo Cruz) foram feitos cruzamentos que confirmaram onde há maior incidência da doença é exatamente os locais com maior produção agrícola e maior uso de agrotóxicos.

Pignati adverte que informações apontam contaminação da água potável em MS e MT. “Criança que mora perto da lavoura vai pior na escola, há também  problemas neurológicos e também distúrbios endócrinos”. Ele citou problemas na tireóide, doenças como diabetes, depressão, suicídios e malformação”.

No Brasil, a FIOCRUZ aguarda financiamento para pesquisas nas áreas da vigilância e saúde. Faltam investimentos no PARA (Programa de Analise de Resíduos de Agrotóxicos em Alimento).

Desafios – O impacto na saúde pública, segundo o pesquisador Luiz Claudio Meirelles (FIOCRUZ - Fundação Oswaldo Cruz), traz comprometimento das futuras gerações. “Impacta sofrimento das pessoas e também impacta o SUS (Sistema Único de Saúde) que tem que tratar essas pessoas”.

Falta financiamento, investimento. “É um quadro desastroso o qual estamos destruindo não só a vida das pessoas, mas contaminando os rios, a vida. Temos capacidade reduzida para ações de controle e monitoramento e os centros de Intoxicações são pífios.

Não existem laboratórios a nível estadual, não tem estrutura para ter conhecimento dos registros. O trabalhador vai adoecendo e não tem atendimento devido. A falta de informações de banco de dados dificulta debate e políticas públicas”, disse Meirelles.

O Brasil, conforme Meirelles, tem  6 grandes indústrias e 130 empresas e movimenta US$ 7,5 milhões por ano. No mundo, são US$ 38 bi ao ano.

PERIGO DE RETROCESSO – Hoje, há vários projetos de lei tentando tirar as competências dos órgãos de saúde e meio ambiente e manter apenas a da agricultura, que tem o olhar voltado para o lucro, para regulamentar a utilização dos agrotóxicos. Meirelles alerta para ações mais duras nos estados para fortalecer os órgãos federais para que não haja esse retrocesso. “O Estado pode debater na Assembleia Legislativa e proibir o uso de determinado agrotóxico se tiver comprovação de danos”.

A professora Doutora e pesquisadora do INCA (Instituo Nacional do Câncer) foi categórica ao afirmar que “não existem limites seguros de exposição”. Ela defende uma força maior do Estado na fiscalização, nos investimentos em pesquisas e prevenção, pois diante do perigo “há um alto potencial de prevenção”. Segundo ela, Desde 2008, o Brasil é o maior consumidor de agrotóxico do mundo. Em 2012 o Brasil usou em suas lavouras 1 milhão de litros e  MS ocupa o 8º lugar no País.

Ela citou como produtos ainda utilizados e que precisam ser tirados do mercado o Malationa; Diazinona; Glifosato  e 2 -4D. “O Glifozado e o 2- 4 D são apontados como extremamente nocivos pela Agência Internacional de Pesquisa em Câncer”. A pesquisadora cita a diminuição do sistema imunológico, os nascimentos de crianças com malformação congênita, toxicidade reprodutiva, infertilidade, abortos, mutação (agrotóxicos imitam os hormônios) e o câncer como a segunda causa de morte no mundo como consequências do uso do agrotóxico”. A estimativa feita em 2015 pelo INCA mas que pode ser usado também este ano é de que no Brasil somente em um ano serão detectados  576 mil novos casos de câncer”. “O câncer é um conjunto de manifestações patológicas, doenças celulares invadem outros tecidos e apenas 20% dos casos estão associados a hereditariedade 80% a fatores ambientais”.

Fonte: Veja Folha

Segundo nota enviada pela assessoria ML&A Comunicações de São Paulo na data de hoje (03/03/17) – A Iniciativa 2,4-D, grupo formado pela união entre o setor privado e pesquisadores de instituições acadêmicas para gerar informação técnica sobre o uso correto e seguro de defensivos agrícolas, teve acesso à matéria “São Gabriel está em área de risco de contaminação por agrotóxicos causadores do câncer”, publicada em 1º de março, e gostaria de esclarecer algumas informações:

Com mais de 70 anos no mercado mundial, o 2,4-D é registrado em cerca de 100 países, inclusive no Brasil. Estudos realizados pela Agência Regulamentadora do Canadá (PMRA), Comissão Europeia e a Agência Americana de Proteção Ambiental (EPA) e outros países, não apontam nenhuma evidência de que o 2,4-D cause câncer, quando utilizado de acordo com as recomendações de uso. Um dos grandes indicadores da segurança ambiental do 2,4-D é seu registro e uso para o controle de plantas daninhas aquáticas em lagos e reservatórios em muitos países, como os EUA, incluindo reservatórios para armazenamento de água para consumo humano.

Os registros dos defensivos agrícolas são baseados em rigorosas e contínuas avaliações de dados científicos. As agências levam em conta mais de 40 mil estudos, sendo mais de 4 mil sobre toxicologia, e essas pesquisas são constantemente atualizadas para atender às exigências regulatórias. Tais conclusões são tidas por importantes órgãos como Agência Americana de Proteção Ambiental (EPA), a Health Canada (Agência Regulatória do Canadá) e a Autoridade de Segurança Alimentar Europeia (EFSA), consideram que o 2,4-D atende a modernos padrões de segurança.

A Iniciativa 2,4-D enfatiza que, para auxiliar os produtores rurais na utilização correta deste herbicida, a instituição realiza palestras e treinamentos disponibilizando material técnico com informações sobre esta molécula, bem como conceitos de tecnologia de aplicação. Nos últimos anos, o grupo realizou mais de 180 treinamentos em todas as macrorregiões do Brasil. Ao todo cerca de 9 mil produtores, técnicos e operadores de equipamentos participaram dos eventos de capacitação técnica.

Matéria atualizada em 03/03/17 às 14h20min para incluir a nota.

M9

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